Quando era miúda, gostava de ler.
Como não tinha muitos recursos para comprar livros nem as duas livrarias da
vila ofereciam uma diversidade de títulos apetecíveis, frequentava a biblioteca
pública, uma sala da Gulbenkian, instalada no edifício da Câmara Municipal.
Aliás, era nas traseiras desse mesmo edifício que estacionavam as carrinhas
cinzentas da Biblioteca Itinerante.
Talvez por gostar de ler, nasceu
em mim, quando frequentava o 9.º ano, a vontade de escrever uma espécie de
conto, que ocupou todo um caderno de tamanho A5, de capa com um padrão de
xadrez. Partilhava este gosto com uma colega com quem, no 10.º, competiria na
leitura de todos os policiais de Agatha Christie e de A. A. Fair que havia na
biblioteca.
Hoje, algumas adolescentes (só
tenho conhecimento de raparigas) – fiquei a sabê-lo há dias – usam aplicações
para ler e para escrever histórias, entre as quais o Wattpad. Ainda não fiz a
inscrição, para me certificar da qualidade e do teor dos textos, mas não deixo
de ficar satisfeita por saber que há, entre as novíssimas gerações, quem leia e quem escreva, num momento em que eu pensava
que já não havia remédio.