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quinta-feira, outubro 30, 2025

Serralves e Peter Murphy

Na noite anterior, tinha assistido a um concerto do Peter Murphy na  Casa da Música. Nessa manhã de domingo, nada melhor do que visitar Serralves e fotografar o outono no parque. 

Passaram alguns anos (mais de sete) e, desde então, não regressei a Serralves nem à Casa da Música. Ao Porto, regressei muito poucas vezes. 


 

sexta-feira, julho 10, 2020

Quando falta a destreza


(Imagem da net)

Ainda que tenha aprendido uns rudimentos de certas manualidades, falta-me destreza para este tipo de trabalhos, sobretudo para a bricolage. Ainda assim, há dias, entrei, decidida, numa loja de materiais de construção e apetrechei-me de tudo o que julguei necessário para pintar alguns compartimentos da casa: escadote, balde de tinta, massa de gesso, primário, espátula, trincha, rolos, cabo extensível para os rolos, fita de pintor e balde. Cheguei tão entusiasmada a casa que, apesar de ser quase noite, dei início à tarefa, começando por isolar todos os interruptores e portas dos compartimentos que dão para o hall e por colocar o primário numa das paredes que, há anos, tive a ideia peregrina de pintar de vermelho escuro. O desalento tomou o lugar do entusiasmo, quando percebi que teria de pintar todas as paredes mais do que uma vez. Dois dias depois, findo o trabalho, tenho de render-me ao óbvio: não tenho talento para pintora, ainda que seja de paredes, porque também para pintar paredes é preciso ter jeito e gosto.
Parece que vou ter de voltar ao plano A: contratar alguém para fazer aquilo que eu, definitivamente, não sei fazer.

sexta-feira, julho 20, 2018

O tempo voa


Há cinco anos, apanhada a fotografar pormenores no castelo de Bragança.

domingo, março 04, 2018

Esconde-esconde


Quando jogava ao esconde-esconde na minha rua - tinha 12 ou 13 anos - fui surprendida pela máquina de um vizinho, que acabou por se tornar jornalista.

sábado, novembro 25, 2017

domingo, outubro 08, 2017

Retrato

A foto do cartão da escola do 9.º ano

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


Cecília Meireles, Antologia Poética

quinta-feira, julho 27, 2017

Não podemos


querer ser quem não somos...

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Adolescência




Até aos doze anos, fui gordinha, embora nunca tivesse sido verdadeiramente comilona, como hoje também não sou e, para mal da minha bolsa, continuo com peso a mais. Um dia, depois de muito invejar as amigas magras e de sofrer com os "ataques" de um colega de turma, em particular, que me perseguia no caminho para casa, com palavras menos simpáticas sobre o meu aspecto, determinei passar fome. Ainda hoje recordo a sensação de estômago vazio e da capacidade de aguentar essa sensação. Em pouco tempo, deixei de conseguir comer. Uma batata,por pequena que fosse parecia ocupar todo o estômago. Em poucos meses, emagreci a olhos vistos. Na história não entraram psicólogos, nutricionistas, nem pedopsiquiatras, só médicos de clínica geral, que prescreveram vitaminas, como recordo. Algum tempo depois, sem saber como nem porquê, recuperei o apetite e o peso suficiente para parecer (e ser) uma adolescente saudável.
Ontem, ocorreram-me este episódio do início da minha adolescência e esta foto, quando a minha sobrinha mais velha, que tem a idade que eu tinha quando a foto foi tirada, ou seja, treze anos, se lamentava por ser magra demais. 


quarta-feira, junho 29, 2016

Em repetição

Segue os trilhos da infância.
Não os percas de vista.

Neles, encontrarás um som.
Talvez o chiar dos carros de bois 
de regresso à aldeia,
no fim de uma tarde de Verão,
talvez o canto das cigarras.

Segue-os...
Neles, encontrarás aquele raio de luz
que, intrometendo-se pelas frinchas do telhado,
ilumina os objetos quotidianos que repousam
sobre a mesa e sobre o velho escano.

Segue esses trilhos primeiros...
Neles, habitam ainda o aroma amargo
das giestas e o toque resinoso das estevas.

Encontrarás pedras, é certo.
Cobrir-te-ás de pó... não duvides.

Mas deles emergirão as vozes
que te seguram e que te guiam

no regresso a ti.

deep, 8 e 9 de Fevereiro de 2016


Para ouvir aqui. (A gravação é uma experiência, apenas.)

domingo, junho 26, 2016

Pois podiam

Estas palavras podiam ser minhas tantas vezes. 

sexta-feira, junho 24, 2016

Talvez seja...

Sem criatividade, sem tempo, sem vontade... 

Há trabalhos que, ao fim de algum tempo, nos "matam"... 

Só me ocorre Campos:


Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.


Bom fim-de-semana para quem (ainda) passa. :)

sábado, dezembro 12, 2015

Pequenos prazeres


Fotografia, a serra, o sol, a companhia da mana...

Hoje, só a fotografia está ao meu alcance.

Bom Sábado para quem passa.

sexta-feira, novembro 20, 2015

No meio dos livros




Eu, na livraria Lello, no Porto, há uns anos. A foto é da autoria da mana.

terça-feira, junho 17, 2014

Luz


A pessoa que se vê na imagem sou eu, na tentativa de captar uma boa imagem daquela que é uma das minhas árvores de estimação e que se encontra em frente ao que sobra do castelo de Mogadouro. É uma árvore solitária, mas muito estimada e, por isso, sobejamente fotografada.
No dia em que a foto foi tirada, segunda-feira de Carnaval, tinha chovido e estava bastante frio, mais do que prevíramos, mas tal não nos impediu de fazer uma breve incursão pela zona do castelo.
A autora da foto, que tem dez anos e é filha da minha amiga mais antiga, editou-a e enviou-ma hoje por email.

quarta-feira, maio 07, 2014

Lugares

A pessoa que se vê na imagem sou eu, a caminhar nos jardins da Gulbenkian. No regresso à capital, senti vontade de revisitar este espaço e de o apresentar à minha afilhada mais velha (é ela a autora da foto). 



Ainda na adolescência e mais tarde, sobretudo no tempo da faculdade, sempre que ia a Lisboa, passar pela Gulbenkian era quase obrigatório. Foi aqui, no grande auditório, que assisti a um bailado da Pina Bausch. É também daqui que vem a primeira memória de uma exposição de impressionistas ou do primeiro contacto com a pintura de Amadeo de Souza Cardozo, de Almada e de outros modernistas portugueses. Lembro-me que visitei a exposição sobre os impressionistas, por altura do Dia Mundial da Música, entre dois concertos, um de piano e de violino, no pequeno auditório, e outro de orgão de tubos, no grande auditório.
Desta vez, a passagem por este mini paraíso ficou restrita à hora de almoço, pelo que nos limitamos a passear pelos jardins, com uma pausa muito breve para um café. Ainda assim, e apesar de continuar a preferir Serralves (os lisboetas que me desculpem), o regresso foi agradável.

segunda-feira, maio 27, 2013

Portas


Eu, apanhada em flagrante




sábado, março 16, 2013

Memórias da neve


(Esta foi a paisagem que, durante anos, pude avistar do meu quarto)

«(...) tenho saudades da neve, tudo branco, limpo, frio, silencioso, uma pureza quase virginal que tudo cobre, que tudo envolve, que tudo cinge. Uma pureza líquida que torna terra dócil e macia a cada passo que damos, uma pureza que nos transforma em manchas, borrões, sussurros, burburinhos, sombras num cenário quase transparente, quase silencioso. Um silêncio estranho, um silêncio em que conseguimos ouvir bater o coração da terra.
Lembro-me que abria a janela, e ali ficava, tempos sem fim, a olhar para as marcas que as pessoas deixavam na rua, a olhar para as árvores, despidas e vestidas de branco (...). Nada era triste, talvez tudo um nada melancólico (...).
Fazia frio, um frio sólido e silencioso, mas todos estavam na rua e toda a gente brincava. Estávamos isolados do mundo, mas tão próximos uns dos outros.»

Raquel Serejo Martins, A Solidão dos Inconstantes

Durante muitos anos, vivi no planalto. Dos quartos da casa avistávamos campos de cultivo quase planos e, a maior distância, a serra. Quando nevava, os campos cobriam-se de um branco imaculado que só perdia a sua pureza quando a neve derretia e tudo o que antes estivera coberto dessa brancura se mostrava então um tanto lúgubre. Recordo (talvez tenha sido apenas uma vez) que, quando ficava tudo branquinho, a minha mãe ia ao quarto acordar-me, pedia-me para olhar pela janela, que ficava quase por cima da cabeceira da cama, para que visse - e me maravilhasse - com aquela visão branca. Como a Raquel Serejo Martins, uma transmontana como eu, ficava à janela «tempos sem fim» e, também como ela, sentia esse «silêncio estranho», mas apaziguador, e que «Nada era triste, talvez tudo um nada melancólico».

domingo, março 10, 2013

Coisas pequenas



Alguém, por acaso, partilha uma música. De súbito, dás contigo a ouvi-la, em modo "repeat", à 1h da manhã. E, à medida que escutas música e palavras, há um sentimento que é um misto de saudade e tristeza que se acrescenta, até se tornar quase insuportável. Não consegues evitar lembrar-te de momentos de um passado longínquo e de pessoas que não regressam e que, por isso, não poderás mais abraçar. Apesar de tudo, num acto de masoquismo, continuas a ouvir a música, como se acreditasses que chorar na proporção da abundância da chuva deste dia possa apaziguar a tua dor, cuja origem, em parte, desconheces.

segunda-feira, março 04, 2013

Há dias assim

Esforço-me por buscar um lugar de conforto que me resgate deste sentimento em que me afundo e a que chamo tristeza, porque não encontro outro nome para lhe dar. Procuro antes de tudo, e em vão, a causa. Insisto, depois, em afastá-lo. Convoco, por isso, o sol de uma tarde de praia, uma conversa amena, um sorriso aberto, um qualquer momento em que fui feliz. Mas os fragmentos de passado que me assaltam não são felizes, não me trazem o calor e a luz de uma fogueira, a suavidade de uma brisa de um fim e tarde ou o doce perfume de uma madressilva. Talvez por isso esta sombra, que julgo ser um sentimento, teime em ficar como a chuva que, invasora, toma a noite como se fosse algo de definitivo, como se não houvesse, subitamente, outras cores além do cinzento e do negro.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Este país (também) não é para doentes

Até ficar doente, nos tempos que correm, é diferente. Antes, quando adoecias e, por força da doença, tinhas de faltar ao trabalho, ficavas de cama, se fosse preciso o dia inteiro, sem pesos de consciência.
Hoje, quando ficas doente e não tens outro remédio senão ficar em casa, pesa-te o trabalho que não consegues fazer em casa, aquele que fica por fazer no teu local de trabalho e pesa-te ainda - e chega a ofender-te - que te descontem um dia de ordenado, quando o estado em que te encontras não depende da tua vontade.