sexta-feira, setembro 10, 2021
quarta-feira, junho 09, 2021
segunda-feira, novembro 09, 2020
quinta-feira, novembro 05, 2020
O barulho das coisas ao cair
domingo, setembro 20, 2020
De um fôlego
sábado, setembro 12, 2020
Mais não digo...
Concluída a leitura de A Vida Nova, de Orhan Pamuk, retomei A Odisseia de Penélope, de Margaret Atwood, que deixei em suspenso há algum tempo. Tenho destas coisas: deixar leituras em suspenso e ler vários (demasiados) livros ao mesmo tempo - "uma promiscuidade", como costuma dizer uma amiga, em tom de brincadeira.
No primeiro, há um narrador em primeira pessoa, um jovem universitário de 22 anos, que, depois de ler e reler um determinado livro, decide largar tudo e viajar pela Turquia, em velhos autocarros, numa espécie de viagem de autodescoberta.
No segundo, quem fala connosco é Penélope que, do Hades, arrisca contar a sua versão da ausência e do regresso de Ulisses a Ítaca. Na sua versão, Ulisses é o bravo herói da Odisseia, mas é também o ardiloso, o adúltero. Nas palavras da esposa recatada e paciente, há perspicácia, ironia e sentido de humor.
Mais não digo...
sábado, setembro 05, 2020
sábado, julho 18, 2020
A música da fome,
quinta-feira, julho 09, 2020
Caim
sexta-feira, junho 19, 2020
Léxico da luz e da escuridão
RIP, CRZ
quinta-feira, junho 18, 2020
Saramago
terça-feira, junho 09, 2020
Os últimos companheiros
domingo, maio 24, 2020
Últimas leituras
quarta-feira, março 25, 2020
Isto não é um lamento
Não é a sensação de claustrofobia que me assalta e me assusta quando desperto, é esta impressão de pesadelo que não se dissipa, quando saio da cama, ponho os pés no chão e lavo a cara.
Tenho estado diária e quase permanentemente em contacto com as pessoas com as quais trabalho, à distância. Enquanto não nos adaptamos a esta novidade que é o teletrabalho (hoje já tive uma reunião de duas horas), gastamos muito mais tempo do que seria expectável num dia normal de trabalho a comunicar com os outros, porque é preciso testar aplicações e canais de comunicação, que nem sempre funcionam, responder a e-mails e mensagens individuais repetidas vezes. E tudo isto cansa, mas tudo isto nos distrai, sobretudo quem vive só, deste clima pesado que nos caiu em cima.
Nestes dias, tenho-me lembrado de livros como O relato de um náufrago, do Gabriel Garcia Marquez, e Teoria geral do esquecimento, do José Eduardo Agualusa. No primeiro, conta-se a história verídica de um homem que terá estado sozinho numa balsa, em pleno alto mar, durante onze dias. Quando li a resenha, perguntei-me o que teria de novo para contar em cada dia alguém que, durante tantos dias, se vê sozinho rodeado de água. Constatei, depois, que em cada dia havia pormenores que o tornavam diferente do anterior. No segundo, narra-se a história de uma mulher que vive em Luanda e que, na véspera da independência, se barrica no apartamento, onde fica isolada durante quase trinta anos. Durante esse tempo, Ludovica escreve para não enlouquecer e que, quando já não tem papel para o fazer, começa a escrever nas paredes.
Tenho, no fim de cada dia, como Ludovica, escrito um relato de tudo o que fiz e de todas as interações (por telefone ou por escrito) com familiares, amigos ou colegas de trabalho (alguns dos quais são também amigos) - nunca recebi tantos telefonemas, e-mails ou mensagens no WhatsApp em tão pouco tempo. Constato que, como os do náufrago, também os meus dias têm sido diferentes uns dos outros e que, ao contrário do que aconteceria há alguns anos e ainda acontece hoje com algumas pessoas, estou longe de estar isolada! Bendita tecnologia!
Fiquem todos muito bem!