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domingo, novembro 05, 2017
segunda-feira, novembro 09, 2015
sábado, outubro 24, 2015
quarta-feira, novembro 12, 2014
Em tempo de castanhas
Lembro-me que era tempo de
castanhas e que frequentávamos a então chamada Escola Primária. Na manhã de um
dia que nasceu pouco simpático, saímos para o campo, a pé, com as professoras. Depois
de termos feito o magusto, comido as castanhas e de termos “enforretado” (tisnado) as caras, como mandava a tradição,
preparámo-nos para fazer o caminho de regresso à vila. Escassos minutos
depois, fomos surpreendidos por uma chuva impiedosa, que nos obrigou a
abrigarmo-nos numa curriça. Não estou certa do desfecho, mas tenho a vaga ideia
de que alguém nos foi buscar de camioneta, algo que já teria sido combinado,
visto que, naquele tempo, os telemóveis estavam longe de existir.
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domingo, novembro 09, 2014
terça-feira, outubro 28, 2014
Devaneio outonal
Não é apenas a serra que faz acontecer em mim um sentimento de familiaridade antiga, indissociável do tempo longínquo da infância. Há essa luz de Outono e um silêncio profundo, que o roçar das folhas dos castanheiros e o som rouco dos aviões - aves gigantescas, cujo estômago parece acusar uma fome permanente -, em vez de perturbarem, intensificam.
Há esse calor, excessivo para a época, que me toca a pele e me transmite a ilusão de que a alma fica em paz. Retomo, por isso, o trabalho, antes que os meus companheiros, os melhores amigos que posso desejar, me acusem de malandrice.
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segunda-feira, novembro 18, 2013
Dos castanheiros a folhagem árida
já desce no ar morto que se move
dentro da palidez do céu de outono
sobre as aves imóveis
Movem-se as folhas só na tarde escassa
de clareiras do sol movem-se as aves
extintas do outono
dentro dele e do sol
que mais que as aves mortas sob as árvores
se move
e movem-se aves
mais do que as folhas que do alto caem
mas sem sol grande as aves não se movem
nem já não caem com a calma as aves
Gastão Cruz
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segunda-feira, novembro 11, 2013
Regresso às origens
Um dia, os pais decidem que querem o melhor para si próprios e para os filhos, por isso deixam a aldeia, onde não têm nada de seu. Porque querem que os filhos não regressem à terra, mandam-nos estudar.
Um dia, porque já nada os prende ao lugar onde educaram a descendência ou porque o apelo da terra é maior, regressam às origens. Aí, dedicam-se a acrescentar os pequenos pedaços de terra que receberam por herança e, cansados, reclamam que já não têm forças para tanto e que não há quem lhes preste ajuda. Os filhos, uns cientes das suas obrigações, outros por gosto, outros ainda por necessidade, retomam ou aprendem os trabalho do campo.
Assim têm sido os meus últimos fins-de-semana: horas seguidas de trabalho no campo, para o qual me faltam jeito e apetite. Há, contudo, algo que não posso negar: o trabalho do campo - talvez por me deixar o corpo exausto - limpa-me a alma.
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segunda-feira, novembro 04, 2013
Em suma...
Esta é uma pequena amostra de um fim-de-semana, que teve momentos de feliz convivência com familiares, de tristeza partilhada, à vez, com amigos e com familiares, e também de algum trabalho, pois nunca escapo à apanha da castanha. Estas que a imagem representa são uma ínfima parte do número de castanhas que, no sábado, me passou pelas mãos.
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segunda-feira, outubro 21, 2013
Quentes e boas
Ontem, no fim da tarde, fizemos, de improviso, um pequeno magusto, com as primeiras castanhas que o meu pai apanhou. A foto, como se percebe, não ficou boa, mas, garanto-vos, as castanhas, que tiveram por companhia uma jeropiga caseira com 13 anos, estavam óptimas.
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terça-feira, novembro 11, 2008
quentes e boas...
Porque é dia de S. Martinho e porque o tempo não me sobra para escrever novo texto, fui ao baú resgatar o que se segue (que deve ter uns cinco anos), ao qual fiz alguns cortes.
As castanhas são deste ano... acabei de as fotografar!
Proveniente do étimo latino "castanea", a palavra castanha designa um fruto de alto valor nutritivo. Ao que parece, era já cultivada pelos Romanos e, segundo Aquilino Ribeiro, na sua obra Avós dos Nossos Avós, cozinhada de diferentes maneiras pelos Lusitanos. Até ser sido substituída, no século XVIII, pela batata, a castanha serviu, durante muito tempo, de alimento base.
Além do papel que desempenham na culinária – cristalizadas, fritas, em sopas, em bolos, a acompanhar carne assada, ou simplesmente assadas ou cozidas -, servem igualmente de motivo de convívio. Compradas, de colheita, ou oferecidas, ninguém dispensa, em Dia de Todos os Santos, ou em Dia de S. Martinho, castanhas, acompanhadas de preferência de jeropiga – bebida alcoólica preparada a partir do vinho mosto e aguardente.
À volta da fogueira ou do assador – de latão ou de barro -, descascam-se os “bilhós”, tingem-se os dedos e, numa atitude divertida e traiçoeira, tisnam-se os rostos, sem que ninguém leve a mal. Pelo meio, desfiam-se histórias antigas, que, pelo caricato e de tão repetidas, já assumiram o estatuto de anedotas caseiras.
De magustos, todos mais ou menos percebemos, mas da apanha das castanhas, esse trabalho de bastidores, só a alguns cabe. De manhã, desde que o dia tenha clareado, e desde que não chova “a cântaros”, homens e mulheres partem rumo aos soutos – é preciso, todos os dias “dar uma voltinha” aos castanheiros, sobretudo se, de noite, o vento e a chuva vieram de feição, derrubando e amolecendo os ouriços. Pelo caminho, a conversa denuncia a preocupação ou a alegria de um ano de boa ou má colheita – “ Este ano ainda são bem boas!”; “ Parece que este ano não vale a pena o esforço.”. Os corpos vergados anseiam a vinda de um comprador que não dê por perdido o tempo, as molhas e alguns picos espetados nos dedos ou na cabeça.
Também relativamente à venda, o ritual se repete: um intermediário, geralmente da aldeia, meio sigilosamente, passa a palavra, para que nenhum amigo fique de fora e possa vender ao melhor preço os sacos de castanhas que, armazenados, esperam a altura mais oportuna.
Em tempos, quando a seca e as doenças não atingiam, como hoje, os castanheiros e quando a agricultura era realmente o principal modo de subsistência das nossas aldeias, a apanha da castanha dava trabalho a mulheres das aldeias vizinhas que, durante quinze dias ou um mês, se passavam, “ de armas e bagagem” para as casas mais abastadas.
Acerca das castanhas, diz a sabedoria popular que fazem criar piolhos, se comidas cruas em quantidade exagerada, ou que morde o burro, se não forem comidas no dia um de Maio.
Aproveitando que o S. Martinho está aí, previnam desde já as mordedelas do burro: comam castanhas, tisnem as caras.. e provem, sem exageros, o vinho novo.
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