Nuno Júdice
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Dos jogos...
Eu, sabendo que te amo, e como as coisas do amor são difíceis, preparo em silêncio a mesa do jogo, estendo as peças sobre o tabuleiro, disponho os lugares necessários para que tudo comece: as cadeiras uma em frente da outra, embora saiba que as mãos não se podem tocar, e que para além das dificuldades, hesitações, recuos ou avanços possíveis, só os olhos transportam, talvez, uma hipótese de entendimento. É então que chegas, e como se um vento do norte entrasse por uma janela aberta, o jogo inteiro voa pelos ares, o frio enche-te os olhos de lágrimas, e empurras-me para dentro, onde o fogo consome o que resta do nosso quebra-cabeças.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
Do olhar e do ver...
Muita gente toma o olhar e o ver como sinónimos. A verdade é que nem toda a gente vê, apesar de muito olhar. O olhar faz-se com os olhos, o ver faz-se com os olhos, as pontas dos dedos, as mãos, a boca, os lábios, as palavras, os sentimentos, os gestos, os actos. Ver é muito mais do que olhar. Ver está para além do observar. Ver é sentir e fazer sentir. [In]felizmente o ver está ao alcance de muito poucos, enquanto o olhar é fácil de cumprir na rotina do dia-a-dia. Eu sempre fui olhada, mas vista, verdadeiramente vista, nunca fui. E sinto-me triste, porque sou muito mais do que aquilo que aparento ser. Eu existo para além do meu corpo. Eu não sou só um esqueleto revestido de músculo e pele. Eu sou uma combinação de muitos outros ingredientes. Sei que, a maior parte das vezes, a invisibilidade é a minha característica principal e isso dói e magoa e fere. Muita gente toma o olhar e o ver como sinónimos. A verdade é que nem toda a gente vê, apesar de muito olhar.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Me, myself and I.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma p'ra sempre.
Clarice Lispector
terça-feira, 14 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
Eu e as Covers #12
Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos
Tu estás só e eu mais só estou
Que tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta
Que tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta
Vem que o amor
Não é o tempo
Nem é o tempo
Que o faz
Vem que o amor
É o momento
Em que eu me dou
Em que te dás
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer
Ser o fim de mais um dia
Não é o tempo
Nem é o tempo
Que o faz
Vem que o amor
É o momento
Em que eu me dou
Em que te dás
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer
Ser o fim de mais um dia
Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
E a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém
E eu sou melhor que nada
Do melhor que já não vem
E a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém
E eu sou melhor que nada
[Que letra fantástica a do António Variações e que versão deliciosa esta do Tiago Bettencourt!]
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Pois que...
Na fronteira da pele não há cães polícias. Era isso mesmo. Na fronteira da pele. Onde eu acabo e tu começas. Onde eu passo de pecado em pecado. Deixo tudo e atravesso. Passo a linha e perco a calma. Na fronteira da pele não há polícia, não há controle.
Salman Rushdie
segunda-feira, 6 de maio de 2013
É a vida!
É verdade. Pela primeira vez, em muitos meses, estou feliz
sem ti. É como se te tivesse arrumado para bem longe, no meu coração [já uma
espécie de mala com a alça toda fodida por carregar muito peso das palavras não
ditas, das palavras que disseram sem sentido, das palavras que nunca se hão-de
dizer]. Peguei nos silêncios consentidos, nas histórias partilhadas, nos livros
que demos a conhecer um ao outro, nas músicas que fizeram a nossa história, nos
sorrisos e gargalhadas e arrumei-os todos num lugar só meu. Já não tens chave –
apenas entras se eu deixar. Se tenho pena?! Não, não tenho. Já era tempo de
acordar para a mim, de me pôr na agenda [como me disseram ontem] e de seguir
caminho. O maior segredo está guardado connosco, no nosso corpo, na nossa alma,
bem dentro de nós, num lugar onde um(a) qualquer nunca há-de chegar. Sim,
chutei-te para canto, para bem longe, de mim e de nós, para que também eu
pudesse ficar longe. Não foi fácil ver-te afastar, como um pacote no mar a
boiar e a ir com a maré. Sentei-me, como espectadora, a ver-te ir, a deixar-te
ir, a não querer-te a rondar nem por perto. E sabes, nem olhei para trás... e
soube bem. Estou acordada, estou viva, estou quase, quase de volta.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Do passado...
(...) Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que, de um dia para o outro, a tua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?
Inês Pedrosa
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