quarta-feira, 21 de abril de 2010
Do tempo...
Vem! Devagar... como se os dias fossem sossegados e eu o caminho que queres descobrir. Sê testemunha da minha vida, dos meus medos, das minhas alegrias… das minhas lágrimas, dos meus sorrisos… como se eu fosse o lugar onde queres ficar. Chega perto. Sem receios. Para que possa ouvir-te respirar, sentir-te o coração a bater e nunca te perder o toque, o cheiro e o paladar. Deseja-me… como se eu fosse um antídoto para a dor e a solução para tudo. Descansa em mim e agarra os meus sonhos… como se eles fossem o teu bem mais precioso. Vem! Faz-me sentir uma peça rara, uma pintura famosa, uma escultura ou uma simples gota de orvalho sobre uma flor ou uma brisa vinda do mar. Recebe-me de braços abertos e protege-me, dando-me a possibilidade de me refugiar em ti, para que, mesmo perdidos, os sentimentos se (re)encontrem. Solta a tua voz, as tuas mãos, a tua força e faz-me crer que sou única e que, ao ser diferente, sou especial. Mas ouve: não prometas nada que não possas cumprir... nem ofereças o que não tens para dar. Deixa o tempo falar e o destino acontecer. Deixa as memórias de lado e toca-me ou deixa-me tocar-te… como se soubesses que só se sente sozinho quem sabe o que é estar acompanhado… completo. Apenas possível entre pessoas como nós… sem palavras ou significados que não importam. Num lugar onde só estamos os dois, de mãos dadas, num sentimento que me faz bem e mal ao mesmo tempo.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
POEMA das COISAS
Amo o espaço e o lugar, e as coisas que não falam.
O estar ali, o ser de certo modo,
O saber-se como é, onde é que está e como,
O aguardar sem pressa, e atender-nos
Da forma necessária.
Serenas em si mesmas, sempre iguais a si próprias,
Esperam as coisas que o desespero as busque.
Abre-se a porta e o próprio ar nos fala.
As cortinas de rede, exactamente aquelas,
A cadeira onde a memória está sentada,
A mesa, o copo, a chávena, o relógio,
O móvel onde alguém permanece encostado
Sem volume e sem tempo,
Nós próprios, quando os olhos indignados
Nas pálpebras se encobrem.
Põe-se a pedra na mão e a pedra pesa,
Pesa connosco, forma um corpo inteiro
Fecha-se a mão e a mão toma-lhe a forma,
Conhece a pedra, estende-lhe o feitio
Sente-a macia ou áspera, e sabe em que lugares.
Abre-se a mão e a mesma pedra avulta.
Se fosse o amor dos homens
Quando se abrisse a mão já lá não estava.
ANTÓNIO GEDEÃO
O estar ali, o ser de certo modo,
O saber-se como é, onde é que está e como,
O aguardar sem pressa, e atender-nos
Da forma necessária.
Serenas em si mesmas, sempre iguais a si próprias,
Esperam as coisas que o desespero as busque.
Abre-se a porta e o próprio ar nos fala.
As cortinas de rede, exactamente aquelas,
A cadeira onde a memória está sentada,
A mesa, o copo, a chávena, o relógio,
O móvel onde alguém permanece encostado
Sem volume e sem tempo,
Nós próprios, quando os olhos indignados
Nas pálpebras se encobrem.
Põe-se a pedra na mão e a pedra pesa,
Pesa connosco, forma um corpo inteiro
Fecha-se a mão e a mão toma-lhe a forma,
Conhece a pedra, estende-lhe o feitio
Sente-a macia ou áspera, e sabe em que lugares.
Abre-se a mão e a mesma pedra avulta.
Se fosse o amor dos homens
Quando se abrisse a mão já lá não estava.
ANTÓNIO GEDEÃO
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