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quinta-feira, agosto 21, 2025

2 versos de Cândido Guerreiro

«Eu sei a vossa língua, água das fontes... / Podeis falar comigo, águas do mar...» 

 Sonetos (1904) 

quarta-feira, abril 05, 2006

Antologia Improvável #119 - Cândido Guerreiro

INCÊNDIO

Daqui, desta falésia cor de lava,
Dum amarelo rútilo e sangrento,
Outrora debruçava-se um convento
Sobre a maré tumultuosa e brava...

E, à noite, quando, no clamor do vento,
Ao largo, o temporal se anunciava,
E a voz das águas, soluçante e cava,
Punha um trovão nas furnas, agoirento,

Logo, piedosamente, cada monge
Suspendia uma lâmpada à janela,
E tangia a sineta para o coro...

E, no mar alto, o navegante, ao longe,
Via um farol luzir em cada cela,
E cada rocha a arder, em sangue e ouro...

Promontório Sacro

Cândido Guerreiro