Estivémos uns dias em Alcobaça, a convite de uma amiga.
Uma das muitas coisas que fizémos a “aproveitar a zona”, foi visitar uma “fábrica de vidro”, na Marinha Grande.

Também visitámos o Museu do Vidro, mas o que o Alexandre achou mais interessante foi ver um artesão que estava lá , com um maçarico, a moldar pecinhas em vidro.



Daí que percebemos que o interessante para ele era ver mais dessa parte do “fabrico e moldagem” e perguntámos que fábricas da Marinha Grande permitiam que fôssemos observar o processo.
Falaram-nos em duas (informação dada lá no Museu), a “Montra do Vidro” (à qual nos dirigimos primeiro, mas que tinha feito uma paragem de férias, não pudémos ver nada do processo; avisaram que fazem nova paragem no início do ano) e a “Jasmim”.


Na Jasmim, pudémos observar os fornos e a sua utilização para a moldagem de várias peças: jarras, pratos decorativos, objectos decorativos mais pequenos como cavalinhos…










Também vimos que adicionavam uma cor, quando pretendiam, ainda pensei que fossem pigmentos, mas depois achei que não podia ser…
A “máquina ” para o recozimento…


O Alexandre perguntou-me de que era feito o vidro, se era “de fogo”. Eu respondi-lhe que era feito de areia, que a areia era aquecida a uma temperatura muito alta e “derretia-se” um pouco e enquanto estava assim quente e mole podia-se dar-lhe várias formas como o que aqueles senhores estavam a fazer. Eu lembrava-me ainda de ter aprendido isso na primeira visita de estudo que fizera na escola, tinha eu 8 anos, tinha ido a Fátima, às grutas de Santo António e precisamente à Marinha Grande visitar uma fábrica, na altura várias permitiam estas visitas, fábricas grandes, e já me tinham dito que agora não, só uma ou duas mais pequenas é que permitiam público a observar. Nunca esqueci nada do que vi e explicaram nesse dia, a ver “fazer vidro” e já tinha pensado que o Alexandre iria também gostar de ver, que haveríamos de proporcionar-lhe algo do género.
De facto agora não foi bem a mesma coisa, observávamos “de cima”, de um varandim, não se via ao pormenor tudo o que faziam. Mas mesmo assim foi interessante e o Alexandre gostou muito de ver; assim que voltámos a Alcobaça pegou nos seus “Legos” (que andam sempre com ele) e “construíu uma fábrica” (os fornos são as peças redondinhas):

Mas voltando ao processo do vidro, no final, quando estavam a fechar, às 19h, perguntámos ao último funcionário que ficara a terminar uma peça, como era “feito o vidro”, se a matéria prima era só areia.
Ele explicou-nos que poderia ser só areia, só que a temperatura de fusão seria muito alta, na ordem dos 1800 ºC. Então adicionam outras matérias primas como soda e potassa, diminuindo assim a temperatura de fusão para os 1400 ºC – 1500 ºC.
Explicou ainda que ali são uma fábrica pequena, fazem o que chamam de “peças livres”, que não têm que ser exactamente iguais umas às outras, daí não terem “linha de montagem” que existe nas fábricas maiores e onde o processo é todo mecanizado. Ali há pessoas que trabalham de noite a preparar a matéria-prima para o vidro (ficam umas “betoneiras” a misturar a areia, e as restantes matérias que lhe incorporam e depois alguém coloca porções da mistura nos fornos, ficando a fundir durante a noite). De manhã eles chegam e “pegam na fusão” como vemos nas fotos e vão moldando peças.

Entretanto perguntámos-lhe sobre a cor e ele disse que o que utilizam ali (nos frasquinhos que vimos) já vem preparado da Alemanha, são porções de vidro colorido moído (esmigalhado, melhor dizendo), que eles vão incorporando nas partes das peças às quais querem “dar cor”, pois ali só fazem mesmo “vidro branco” (transparente). Mas que, não sendo perito nessa área, sabe que, por exemplo, o vidro azul é feito adicionando cobalto, o amarelo, enxofre, o vermelho, óxido de ferro…
Saímos contentes com a explicação e, como disse há pouco, o Alexandre muito entusiasmado que resolveu “construir uma fábrica” em Lego, assim que chegámos.
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