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terça-feira, 19 de maio de 2020

«Porque me chamam Gaivota?»


Maria Rosa Colaço em 1982 publicou um conto sobre o "Gaivota", com o mesmo título. "Gaivota" era um rapazola de Cacilhas, que cresceu paredes meias com o Tejo. Deixo aqui uma pequena transcrição, onde ele esboça a sua "história de vida"...

«[...] Porque me chamam "Gaivota"?
Está mesmo a ver-se... Tenho passado entre os barcos e o Tejo, em cima deste paredão, correndo e escorregando nestas pedras húmidas, mais de metade da minha vida: às vezes, até a pele me sabe a sal.
Ando nisto desde que o meu pai morreu; ajudo um e outro, vendo jornais, pensos, aprendo bocados de palavras de outras terras; invento ruas de outros países quando vejo os estrangeiros de cabelos amarelos e  dinheiro nos bolsos, a comer camarão e lagosta: vivo!
Como tenho a mania de andar em cima desta parede, de asas abertas, como as gaivotas, um dia começaram a chamar-me "Gaivota" e "Gaivota" fiquei. O meu nome é Alfredo. Mas isso não interessa porque ninguém o sabe e Gaivota, afinal, é o que eu queria ser. De verdade, pois! Asinhas a dar-a-dar; peixinho fresco e, lá em cima, lá em cima no vento, no azul, avião-sem-motor, namorado das ondas, sol morno nas costas, dono do Tejo, dono de mim, bicho livre! [...]»

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

domingo, 20 de outubro de 2019

A Convenção de Albufeira


Fazemos um intervalo, porque o Tejo não vive da poesia, nem das palavras bonitas.

Divulgamos as palavras da jornalista Carla Tomás, no "Expresso", a 12 de Outubro, em que se percebe (como é costume...) que os números oficiais diferem dos divulgados pelos ambientalistas: 

«A Convenção de Albufeira, que gere os rios que atravessam os dois países, define caudais mínimos anuais, trimestrais e semanais (ver números). E neste ano hidrológico (de 1 de outubro de 2018 a 30 de setembro de 2019) Espanha terá cumprido à pele o caudal mínimo anual. A Agência Portuguesa do Ambiente garante que os valores anuais “foram cumpridos no limite”, tendo chegado à albufeira de Fratel 2700,31 hectómetros cúbicos de água. Porém, os ambientalistas do movimento proTejo põem em causa estes números. “Pelas nossas contas, com base no que chega a Fratel e em informação do antigo Inag, ficam a faltar perto de 200 hm3, que teriam de vir de afluentes nacionais e não de Cedillo”, garante Paulo Constantino, do proTejo.»

(Fotografia de Luís Eme - Fratel)