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A Arte Moderna e os Bailados Russos por António Ferro

«Se eu brinquei com o publico, afirmando-lhe a indiscutivel influencia dos Bailados Russos, na Arte moderna, tambem Camilo Mauclair brincou no seu livro-sintese “L’Art independant français”… Rodin, nos ultimos anos da sua vida, em todas as entrevistas, não se esquecia de acentuar a grande revolução que os Bailes Russos tinham operado na Arte… A pintura moderna é, toda ela um Bailado Russo. Os pinceis de Picasso, Van Dongen, Lhote Dufuy, Marie Laurencin e tantos outros são bailarinos doidos… A scenografia moderna baila Russo, como toda Arte de hoje…»

António FERRO
“A Arte Moderna e os “Bailados Russos””
coluna “Crónica da Semana”, Ilustração Portuguesa, nº 830, 14 de Janeiro de 1922, p. 26.

Abat-jour por António Ferro

«Meu abat-jour, redoma de paisagens,
Jardim onde os meus olhos são meninos.
Robe Chambre da luz todo em ramagens,
Touca dos meus minutos femininos…

Meu abat-jour, minha rosa impossivel,
Que a minha casa pôs na botoeira,
Sobre um corpo esgalgado de estrangeira
És um chapeu duma largura incrivel…

Lembras Paris… Ha boulevards nas côres.
Lampada ao centro para que se veja
Que tambem tens a praça da Etoile

Céu onde em vez de estrelas brilham flores
Divan do meu olhar onde me beija,
A luz esguia, electrica, sensual…»

António FERRO
“Abat-jour”
Ilustração Portuguesa, nº 828, 31 de Dezembro de 1921, p. 526.
Com ilustrações de Bernardo MARQUES

Banquete de homenagem a João Vaz

«No banquete oferecido pelos novos
a João Vaz, no Restaurant Leão»

“No banquete oferecido pelos novos a João Vaz, no Restaurant Leão”
Ilustração Portuguesa, nº 827, 24 de Dezembro de 1921, pp. 514-515.
Com ilustrações de Leal da CÂMARA e José Dias SANCHO

D’Annunzio

«Florênça chora, Florênça sofre, Florênça apressou a noite para esconder a sua dôr… D’Annunzio foi vencido… Morreu a ultima esperança de Florênça, morreu a ultima esperança da Itália renascer outra vez… Chegaram a rir dêle, chegaram a rir daquêle que desejou ter a bola do mundo, nas seus mãos femininas, para a devolver a Deus, para a arremessar ao céu… Não o compreenderam, não souberam o que êle queria… Não o deixaram esbanjar até ao fim a herança de Beleza que a Renascênça lhe legou…
Noite de natal… Noite em que Jesus nasceu, noite em que Florênça é o sarcofago do Sonho do Maior Poeta…»

António FERRO
 “Adagio
Ilustração Portuguesa
, nº 827, 24 de Dezembro de 1921, pp. 504-505.

Gabriele d’Annunzio na Ilustração Portuguesa

«Al poeta Antonio Ferro
Gabriele d’Annunzio»

in António FERRO
 “Adagio
Ilustração Portuguesa
, nº 827, 24 de Dezembro de 1921, p. 505.

Poema a Virgínia, Ferro e Fernanda

«A minha alma já que há muito tempo,
Contar um segredo á Ilustração;
Mas tem medo que seja indiscrição
Perdoem pois o meu atrevimento.

Os poetas que admiro são trez,
Não sei d’onde me vem a opinião,
Pois entraram no meu coração,
Juntinhos como a conta que Deus fez.

Dizer os nomes não me custa nada,
Mas sinto-me um pouco envergonhada
Vá lá, sempre digo… o coração manda…

Os poetas da minh’alma acreançada,
Alma de quinze anos agarotada,
São a Virginia, O Ferro e a Fernanda.»

Maria
[sem título]
coluna “Crónica da Semana”, Ilustração Portuguesa, nº 827, 24 de Dezembro de 1921, p. 494.

A gôndola

«Eu olho Signorina Veneza… A Hora que ambos queremos viver está aqui, ao alcance das nossas mãos, ao alcance das nossas bocas… Não hesitamos. Dizemos ao luar, obediente como um pagem, para colar as nossas bocas… O gondoleiro naufraga na cantiga… Os nossos corpos são gondolas onde as nossas bocas se abraçam… Tenho, enfim, a minha Hora… Nos nossos lábios não ha um beijo, ha, finalmente, Veneza… Veneza sobre a laguna numa noite de luar…»

António FERRO
“O segredo da gondola”
Ilustração Portuguesa, nº 826, 17 de Dezembro de 1921, pp. 471-472.
Com ilustrações de Maxime DETHOMAS.

A bailarina

«Deus no corpo das bailarinas, escreve direito por linhas tortas…
A bailarina não é um corpo, é uma ideia de Deus… As bailarinas são as “maquettes” do Creador para uma nova Humanidade…»

António FERRO
“Bailado incompleto”
Ilustração Portuguesa, nº 825, 10 de Dezembro de 1921, p. 447.

Entrevista de Lucília Simões a António Ferro

«- Gosta dos actores portugueses?
– Gostei… Em Portugal houve grande actores. Hoje…
– Hoje?
– Hoje vai-se para o teatro como que vai para uma aventura. Não ha talentos, ha habilidades… Depois, uma grande falta de cultura… Que admira? Saem quasi todos do conservatorio.»

Entrevista de Lucília SIMÕES a António FERRO
A entrevista da semana. Lucília Simões
Ilustração Portuguesa, nº 824, 3 de Dezembro de 1921, p. 425.

Lucília e António

«Lucilia Simões entrevistada pela “Ilustração Portugueza”»

in Entrevista de Lucília SIMÕES a António FERRO
A entrevista da semana. Lucília Simões
Ilustração Portuguesa
, nº 824, 3 de Dezembro de 1921, p. 424.

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