Há muito que não aparecemos por aqui, mas penso que quase todos sabem que, desde Setembro, a M. está a frequentar o 5º ano numa escola, a tempo inteiro. A mais pequena continua em Ensino Doméstico, embora já tenha perguntado se podia ir para a escola da mana (mas não pode, porque na escola da mana não há 2º ano, e sem ser para a escola da mana, ela não quer ir). Tudo isto para dizer que, entre idas e vindas, o tempo não tem abundado para escrever, embora continuemos com o nosso Guerrilla Learning, mesmo no caso da mais velha.
A M. está-se a dar bastante bem na escola, embora de manhã lhe custe sair da cama (as aulas começam às 8:30) e me tenha dito que algumas manhãs parecem intermináveis e por vezes se aborrece nas aulas de 90 minutos. Mas também diz que está a achar o português mais interessante (ela antes dizia que detestava português) e quis inscrever-se, por iniciativa própria, em duas actividades extras, a rádio da escola (vai lá uma hora por semana e aprende a trabalhar com os aparelhos, põe música nos intervalos, tudo com a ajuda de colegas mais velhos e de um professor) e um clube de badmington, também uma hora por semana. Esta semana até ficou um bocado aborrecida por o feriado calhar no dia da rádio…
Noto que gosta de se dar com miúdos mais velhos e gosta muito das aulas de Educação Visual, de Educação Física, de Música e de Ciências. Por outro lado, na primeira semana andava muito aflita com a mudança constante de salas (agora já conhece bem a escola) e fez-lhe confusão serem tantos miúdos e haver tanto barulho, algo que continua a não lhe agradar.
Também já fez vários testes, que nós procurámos desdramatizar, explicando-lhe que as notas são o menos importante, embora ela vá ver que toda a gente parece dar-lhes muita importância. Mas a verdade é que tem tido excelentes notas, e quando recebeu o primeiro, de Matemática, em que teve “Satisfaz bastante”, vinha muito contente. Mas eu fiquei especialmente contente por ela contar, com a mesma alegria, e sem uma pontinha de inveja, que um outro colega tinha tido Excelente, e que tinha sido 100% – espero que não perca isto, pois uma das coisas que me lembro com desagrado da escola, eram as invejas e a competição pela nota. Também me preocupa o efeito “maria-vai-com-as-outras”, mas por enquanto acho que ainda não a está a afectar: inscreveu-se no clube de badmington, sem que nenhum outro colega da turma o tivesse feito, inscreveu-se num corta-mato no qual a maioria das raparigas e alguns rapazes não se inscreveram, e contou-me que no intervalo, gosta de se sentar numa mesa sozinha a fazer desenhos. “Mas às vezes as minhas colegas vêm-se sentar ao pé de mim, ou então, quando me vêem a chegar chamam-me para a mesa delas e eu vou, também assim… para não ser mal educada, percebes?” Fico contente e espantada, pois eu, com a idade dela, era bastante insegura, e não me passaria pela cabeça ir-me sentar sozinha numa mesa. Acho que é uma das coisas boas que estes anos de ED lhe deram, a capacidade de ter ideias próprias e de não se deixar influenciar ou sentir dependente em excesso dos outros.
Por outro lado, noto que a escola lhe causa aguma tensão, por ex. preocupa-se muito em não se esquecer de todos os livros e outros materiais, em não chegar atrasada às aulas (de manhã, pergunta-me frequentemente “quantos minutos faltam para começar?), etc. Logo nas primeiras semanas contou-me que, numa das aulas de matemática, ficou muito aflita porque se tinha esquecido de fazer os trabalhos de casa, e a professora estava a ralhar a um colega por essa mesma razão. E ela, claro, ficou com medo que a professora percebesse que ela também não os tinha feito… Lá lhe expliquei que qualquer pessoa pode ter um esquecimento, e que normalmente os professores zangam-se muito quando percebem que um aluno, por sistema, não faz as coisas, mas quando por norma se é trabalhador e por excepção se tem um esquecimento, ninguém lhe vai ralhar por aí além. E se ralhar, paciência, o que é importante é nós estarmos de bem com a nossa consciência. Enfim, é um processo de aprendizagem contínuo, este… E o que me dá ideia é que ela não tem propriamente medo dos ralhetes, o que não quer é que os professores (e os colegas mais velhos, de quem gosta especialmente) pensem que ela é como alguns dos miúdos mais novos – ao que parece há dois ou três na turma que se portam bastante mal…
Por outro lado, uns dias mais tarde contou-me que a professora de matemática lhe tinha perguntado se ela queria ir às olimpíadas de matemática. Então e o que é que lhe respondeste? “Oh, eu disse-lhe que se calhar não ia, porque acho que não me apetece muito.” Eu ri-me para dentro, e ela continuou: “A professora diz que gosta da maneira como eu raciocino, que tenho um raciocínio muito bom” Ai sim?, perguntei eu (babada, claro). “Sim, ela disse que eu sou impecável. E disse que eu tenho uma coisa que os outros meninos não têm.” Então e o que é?, perguntei cheia de curiosidade. “Não sei, ela não disse. ” (aqui desmanchei-me a rir) E ela continuou: “Mas eu acho que é eu ser assim… mais calminha, sabes?” Eu ri-me para dentro outra vez, mas fiquei a pensar que a diferença que a professora provavelmente nota é que ela não tem grandes (ou quase nenhumas) inibições em falar com adultos.
Mas chega de escola. Cá em casa, como disse, continuamos com as nossas actividades paralelas e este Halloween, a M. quis-se vestir de morcego, mas não queria comprar a roupa, queria que fôssemos nós a fazer, “que é mais giro”. Depois de uma busca na internet, lá encontrei, num site de que gosto bastante, o Evil Mad Scientist Laboratories, as instruções para fazer uma roupa de morcego a partir de um chapéu-de-chuva velho. E não é que ficou mesmo giro?
Aqui em cima estou eu, à luta com o chapéu-de-chuva, que afinal até não foi tão difícil de desmontar como parecia à primeira vista, e todos achámos muito interessante ver como é feito.
Esta fotografia, também foi tirada pela M., desta vez ao écran no computador, enquanto eu procurava seguir as instruções.
Aqui em cima está a primeira asa, colocada junto à manga da camisola, ao longo da qual foi depois cosida. O resultado foi muito do agrado da pequena morcega, que foi logo para a casa de banho ver-se ao espelho, experimentar as asas e fazer poses:
E aqui está uma vista de uma das asas, em pleno uso:
A C. quis vestir-se de aranha, mas estava mais interessada em fazer uns bolos, por isso trocou rapidamente a máscara pelo avental, e nem tive tempo de lhe tirar uma fotografia. Os bolos, apesar do aspecto pouco convencional, ficaram deliciosos. Fizémos um grande (a mãe), e dois pequenos (as filhas):

Bem, ficamos por aqui, que o post já vai longo. Um feliz Outono para todos, com ou sem escola!