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segunda-feira, 25 de julho de 2011

David Servan-Schreiber (1961-2011), um médico muito especial

Acabara de o conhecer há uns meses atrás, pela leitura dum dos seus livros, Curar.
Era um médico muito especial, adepto da complementaridade das medicina ocidental, oriental e outras, e da atenção a coisas simples na vida com efeitos marcantes na qualidade da nossa saúde: alimentação saudável, ao estilo da dieta mediterrânica, exercício físico, bom sono, convívio, amizades, sentido de comunicação e capacidade de escuta.
Neurocientista reconhecido, amigo de António Damásio, foi através da sujeição a um teste laboratorial que descobriu que tinha um cancro no cérebro. Tinha 31 anos, e graças à mudança no estilo de vida, conseguiu ainda sobreviver quase 20 anos. Mas já não aguentou a segunda recidiva.
Ficam-nos os vários livros deles, alguns best sellers que têm sentido em sê-lo, porque decerto terão ajudado muitas pessoas.
Outros livros do autor: Anticancro – uma nova maneira de viver (2007); On peut se dire au revoir plusieurs fois (2011). Também existe um site pessoal, Guérir. E esta excelente entrevista por Ana Gerschenfeld.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Saúde e riqueza: 200 países, 3 séculos, 120 mil números

Ora aqui está um video muito didáctico da BBC4, que exibe em velozes 4 mins. uma excelente visualização gráfica da evolução macroeconómica mundial relativamente à esperança média de vida e à riqueza desde 1810 a 2009. É o médico Hans Rosling que nos conta e mostra esta história do desenvolvimento do globo, acabando num tom porventura demasiado optimista: a de que todos os países estarão, brevemente, lá no topo de ambos os indicadores. Duvido. Apesar disso, a evolução registada acaba por ser bem mais positiva do que poderíamos supor a priori. E o mais surpreendente é que todos partimos bem lá debaixo. Não deixam de ser médias, claro. Nb: legendado em português.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Heróis do mar e imortais...

«Descoberto primeiro animal imortal»

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ser velho é tão confuso como ser novo

Ainda no outro dia estive a parodiar um filme de Hollywood. Pois bem, hoje é a vez de fazer o elogio dum deles, mas dum realizador doutro gabarito, Francis Ford Coppola. O filme em apreço é Peggy Sue casou-se, e 'é' um filme de ficção científica que pouco parece ter a ver com este género. Uma viagem no tempo em ambiente de comédia romântica. Aparentemente acaba em bem, isto é, happy end familiar (ou quase), mas o que tem mais interesse é justamente a novidade do argumento, os volte-faces, a fantasia, a subversão, a fuga à rotina, à previsibilidade e ao estereótipo...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A velhice: o fim do fardo de Sísifo, segundo Joan Margarit

Num belo poema do catalão Joan Margarit, a velhice é vista como «uma espécie de pós-guerra».

Em entrevista que passou na RTP2 («Bairro Alto»), o poeta desenvolveu esta ideia interessante, que eu nunca topara. Para Margarit, a velhice é como se fosse a interrupção do mito de Sísifo, pondo fim à condenação pelos deuses de ter de empurrar sem cessar uma rocha até ao cimo duma montanha, donde a pedra voltava a cair, e assim indefinidamente.

Para os velhos cessou a canseira, a canseira da guerra, ou seja, o fardo do futuro. Já pouco haverá de futuro, sobrando o presente e o pretérito. Como ele diz na entrevista: «Ser velho é a vida deixar-nos com muito passado e muito pouco futuro, e o futuro é onde estão as cargas. [...] Acaba-se o futuro, o peso do futuro, esse peso tantas vezes inútil que a pessoa jovem e madura é tantas vezes obrigada a carregar como a pedra de Sísifo [...] Há um momento em que essa pedra desaparece. Esta idade é maravilhosa». Quanto aos refúgios (ou casas da misericórdia), os verdadeiros são poucos, e um deles é justamente a poesia. A entrevista pode ser acompanhada aqui, o poema a que aludo no começo vem transcrito em baixo.

Ser Velho

Entre as sombras daqueles galos e cães
dos quintais e currais de Sanaüja,
há um buraco de tempo perdido e chuva suja
que vê os meninos ir contra a morte.
Ser velho é uma espécie de pós-guerra.
Sentados à mesa da cozinha
em noites de braseiro a escolher lentilhas
vejo os que me amavam.
Tão pobres que no fim daquela guerra
tiveram de vender a miserável
porção de vinha e o casarão gélido.
Ser velho é a guerra já ter acabado.
Saber onde estão os refúgios, agora inúteis.

Casa da Misericórdia, Ovni, 2009

sábado, 27 de dezembro de 2008

Mudar de vida

Surgiu recentemente em Portugal o Movimento de Apoio aos Sem-Abrigo (MASA). Foi criado por um ex-sem-abrigo e ex-jornalista, Daniel Horta Nova. Baseando-se na sua experiência pessoal, salienta que o fim do MASA é mudar a vida dos que vivem na rua, e não simplesmente dar-lhes comida. Porque a rua também pode ser um "vício", impõe-se um plano de reinserção social para os sem-abrigo e não "associações-fantasma que só dão alimento". Para o efeito, o MASA presta-lhes apoio psicológico, técnico e jurídico. Quem quiser apoiar este movimento pode adquirir uma agenda 2009 do MASA (vd. aqui). Mais informação no texto «Daniel voltou à rua para salvar outros como ele através do MASA», de Amanda Ribeiro. Na imagem, o mentor do MASA.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Demasiado humano

O badalado documentário de Kusturica sobre Maradona teve ante-estreia em Portugal no passado sábado, quase a fechar o DocLisboa.
O realizador sérvio avisa no filme que vamos ver 3 Maradonas, o profe da bola, o cidadão anti-Bush e o homem de família. Faltou aditar um 4.º Maradona: o Maradona-Kusturica. De facto, no início teme-se o pior: uma ego-trip do cineasta, como se fosse um documentário sobre uma relação e não sobre uma pessoa. Aos poucos, o realizador-entrevistador vai dando mais espaço ao protagonista, mas ainda assim exagerando na sua presença (não só física, também 'espiritual', através de constantes comentários off e on e de excertos de filmes seus inscrutados no documentário, à guisa de paralelo com a vida de Maradona).
Esta atitude vai a contracorrente da filmografia kusturicana, centrada nas personagens, em muitas personagens, e toda ela ficcional. Tal contraste contraproducente acaba por penalizar este filme. Nota-se que Emir, como lhe chama Maradona, não está à-vontade no documentário, e que quis imitar um mestre do género, Michael Moore. Erro óbvio: Moore é assumidamente provocador e não faz Biografias (nesse particular, limita-se a dar a voz às histórias que as pessoas lhe querem contar). Por outro lado, descuidou a pesquisa, cuja lacuna mais evidente é a falta de referências à passagem de Maradona por Nápoles, afinal uma das partes mais importantes da sua vida e carreira. Uma visita recente de El Pibe a Nápoles é o único registo, e, ainda assim, focando-se na recepção alucinada de tiffosi e simpatizantes.
Dito isto, o documentário tem vários motivos de interesse, sobretudo na ligação entre futebol e política. Desde logo, permite rever alguns dos melhores golos da história do futebol à luz do enquadramento dado pelo entrevistado. Aqui, destaca-se a vitória da selecção argentina sobre a Inglaterra no Mundial de 1986, apresentada como a desforra simbólica dos mais fracos sobre os poderosos, os imperialistas. O mote está dado. A mensagem de Maradona é muito política, vem de ter vivido entre os pobres, mas também de ter visto as injustiças no mundo, entre nações. É curioso verificar, porém, que a Guerra das Malvinas a que alude deveu-se ao delírio nacionalista duma sanguinária ditadura militar, por muito compreensível que fosse a reivindicação desse território por parte da Argentina e por muito brutal que tenha sido a resposta inglesa.
El Pibe condensa um certo imaginário latino-americano de esquerda e anti-imperalista, e admite-o abertamente, o que é raro entre os futebolistas de hoje. Fã de Che Guevera e Fidel, de quem fez tatuagens no corpo, diz que este último é o único político decente que conheceu, pela defesa firme que faz do seu povo. O Maradona cívico surge ainda ao lado de Chavez e Morales, numa grande manifestação anti-Guerra do Iraque. E na chamada de atenção para o marco de viragem que foram os motins no Mar de Plata, contra os acordos ALCA. O ataque cerrado contra a política belicista e unilateralista do consulado Bush aproxima-o de Kusturica, lixado com a política ocidental quanto à questão do Kosovo, apesar de se assumir como pró-ocidental (no contexto duma Sérvia belicosa e eslavófila, mas também abalroada por uma geopolítica implacável).
Já o Maradona íntimo foi mais difícil de abordar. A sua viciação na cocaína e as recaídas implicaram o seu alheamento parental e marital, algo apresentado como uma mágoa e frustração irreversível. O que é dito e mostrado a este respeito evidencia como os ídolos também são feitos da mesma massa do comum dos mortais. Neste aspecto, a parte relativa à Igreja Maradoniana é, sobretudo, um pretexto para parodiar os excessos das mitomanias, das idolatrias.
No fim, vem um dos melhores momentos do filme, Manu Chao cantando a Maradona a vida deste ("Si yo fuera Maradona"), e, também, cantando para nós todos - "La vida es una tómbola"... No fim, fica um homem cujo dom para a arte da bola, e cujo temperamento e personalidade, o tornaram uma fonte de sonhos para muitos outros. Capaz de os fazer sonhar, capaz de os tirar da normalidade rotineira e alienante do dia-a-dia dos nossos tempos.
Ao fim de 3 atribulados anos, Kusturica conseguiu acabar o documentário sobre um dos seus ídolos. Ao fim de muitos mais conseguiu Maradona realizar um sonho antigo: o de ser seleccionador nacional da Argentina, notícia hoje dada pelos media. Boa sorte para ele, desde que não vença Portugal (se lá chegarmos, claro).

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Blogofrase da semana

A morte é o que nos faz esgalhar o carapau.

M. D., 2007 DC

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Redistribuindo a riqueza? Ou falta de decência?

Cartoon de GoRRo (c) 2007

domingo, 27 de maio de 2007

Matateu, Vicente e as glórias da vida

Vitória suadita do SCP, num jogo morno (desinteressante?), com poucas oportunidades para cada lado. Jogo morno, um pouco à maneira do tempo que está fazendo. O que vale a pena destacar é a interessante reportagem de Filipe Escobar de Lima. Num único e pequeno texto, temos boas referências a Matateu, ao seu irmão e parceiro Vicente, ao Império, ao Maxime, etc.. Tudo num pequeno rectângulo; vale a pena ler ("O golo de Matateu que fez rebentar a festa azul no Jamor", 27/V, p. 32/3).
Imagem: jogador belenense e da selecção portuguesa, o moçambicano Vicente Lucas, 1966 (foto de Amadeu Ferrari, AFML).

sábado, 19 de maio de 2007

Vida privada

Cartoon de GoRRo (c) 2007

domingo, 1 de abril de 2007

Posfácio c/osso (III)

"Vivi quase trinta anos afastado do país. Foi a minha sorte. Se cá tivesse ficado, hoje estava morto. Ou calvo e barrigudo e com uma caterva de filhos. Ou talvez com uma perna de alumínio...
Hoje tenho saudades da França. Das suas mulheres, dos seus vinhos, dos seus poetas suicidários, dos seus escritores extravagantes. Jean-Pierre Brisset escreveu um livro volumoso para provar que o homem provém da rã...
Os Franceses ensinaram-me uma coisa: deve-se viver a vida até às borras. E acreditar-se no que se faz."
Manuel da Silva Ramos
(O sol da meia-noite seguido de contos para a juventude,
Lx., Pubs. D. Quixote, 2007, p. 164)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

A alface tem vida!


Perante tão inteligentes e indubitáveis Verdades que têm sido veiculadas em tempos mais recentes, dediquei-me a uma reflexão profunda sobre a «Vida». «O que é a Vida?» E ocorreu-me, «será que há vida na Alface?», «a partir das quantas semanas temos vida naquele ser que, apesar de inferior e verde, é suposto ser uma criação de Deus, transportando a dádiva suprema da vida?».
A alface tem vida! Esta é uma Verdade. Fez-se luz, ao imaginar aqueles campos repletos de verde-alface, com seres vibrantes, inocentes, sem consciência e que tanto têm a dar ao nosso ecossistema.É com repugnância que hoje olho para uma salada mista. Perturba-me pensar na quantidade de vitimas inocentes e de assassinos inconscientes que, impunemente, cerceiam estas vidas em benefício de interesses egoistas e prazeres irreflectidos. Procuremos juntos desenvolver políticas de apoio a todas as espécies de vida hortícula que, apesar de não racionais, são uma criação do Senhor e como tal são sagradas. Pagar com os nossos impostos para subsidiar Agricultores sanguinários? Não, há vias mais nobres!
Há alternativas!Contra a imoralidade, a insanidade dos tempos modernos, proponho a todos que coloquem uma alface à janela, junto com uma vela. Em alternativa podem comprar porta-chaves com miniaturas de alface e distribuir pelos amigos. Juntos conseguiremos um mundo melhor. Porque uma vida nunca é demais. Ainda vais a tempo de salvar muitas vidas...


Ricardo Campos