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Paulo Núncio – O cornetim dos touros de lide

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Paulo Núncio – O cornetim dos touros de lide O azougado deputado e líder parlamentar do defunto CDS, ressuscitado na alcova do PSD, é mais conhecido pelos músculos do que pelos neurónios, apesar de desfeiteado pelo bezerrinho com que mediu forças, em Vila Franca de Xira, numa bravata marialva. Talvez se deva a essa peleja, onde se lhe esvaíram os escassos neurónios que ainda o acompanhavam, transferidos para o bicho, a necessidade de exibir a testosterona como alter ego parlamentar do talentoso ministro da Defesa, Nuno Melo. Na disputa inglória com o líder do seu partido, para o campeonato da asneira, procura ser o rafeiro que morde os transeuntes para ser notícia. o Gonçalo da Câmara Pereira foi na AD o primeiro a ser despedido para evitar a chacota, e o PSD terá de prescindir agora do CDS para evitar a vergonha. Não surpreende que Paulo Núncio dispare disparates a uma cadência superior à do tiro das metralhadoras mais rápidas, o que estupefaz é que ninguém lhe diga que o bril...

Portugal e a UE – O discurso de Marcelo Rebelo de Sousa

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Portugal e a UE – O discurso de Marcelo Rebelo de Sousa Em Estrasburgo, na comemoração do 40.º aniversário da adesão de Portugal à CEE, agora UE, Marcelo Rebelo de Sousa fez um empolgante discurso, enaltecendo o melhor que nós portugueses somos, da melhor maneira, com elevada e fina sensibilidade. Só quem se esqueceu do que fomos e se recuse ver a diferença do que somos hoje pode ser ingrato para com o que devemos à UE e indiferente ao contributo que lhe levámos e de que devemos orgulhar-nos. Quem viveu num país que o ditador fascista quis «orgulhosamente só», onde a censura, o medo, o partido único e a polícia política moldavam os portugueses, onde os direitos das mulheres e liberdade de expressão inexistiam, não pode ignorar o que representou o 25 de Abril e, há 40 anos, a entrada no espaço de liberdade, progresso e paz. Marcelo, no discurso de hoje, com elevadas cultura, inteligência e sensibilidade, exaltou os valores de que nos orgulhamos, num hino à democracia, às liberda...

Efeméride – 1.º aniversário da reeleição de Trump

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Efeméride – 1.º aniversário da reeleição de Trump Sempre me surpreendeu que os eleitores dos EUA preferissem Trump a Kamala Harris, e jamais imaginei, mesmo nos meus piores pesadelos, que o crivo do eleitorado pudesse ter deixado passar, não apenas um delinquente, mas um candidato tão desequilibrado e perigoso. Pior, fê-lo com tamanho entusiasmo e zelo que diz mais dos eleitores do que do eleito. Que o ataque às democracias liberais, aquelas em que me revejo, tenha partido da Pátria do constitucionalismo, 250 anos depois, do país definidor dos princípios da liberdade, multilateralismo e direito internacional não é apenas espanto, mas fonte de frustração. E não vou flagelar-me com o silêncio e cumplicidade de países democráticos nos ataques à soberania do Iraque, Líbia, Sérvia e outros Estados, em violação grosseira dos valores de que nos reclamamos. Que tenhamos visto tão tarde de onde vinham os piores sinais contra os nossos valores é a mágoa que sinto, a frustração que me acomp...
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Os deuses ensandeceram e Donal Trump foi sempre assim Cristóvão Colombo, ao chegar à América, julgou ter descoberto uma nova rota para a Ásia (Índias) e, apesar de ter feito quatro viagens, morreu convencido disso, mas, em finais do século XV, o Planeta não estava ainda cartografado. Há dias, o chanceler Friedrich Metz teve uma epifania, descobriu que a Rússia ficava na Europa, e bastava-lhe ter consultado antes um atlas, ou recorrido ao Google. E chegou a chanceler para descobrir que Hitler não invadiu a Tanzânia, que a Operação Barbarossa não terminou em Dodoma e que ele próprio não está a enviar armas para o Quénia para se defender de uma agressão da Tanzânia. Consequente com a inspiração, graças ao pragmatismo alemão, disse ser essencial falar com a Rússia para negociar o fim da invasão da Ucrânia, afirmação antes execrada, que, até há pouco, tornava suspeitos de putinismo os defensores da via diplomática. Até o ex-sec.-geral da NATO, Jens Stoltenberg, pediu aos países ocide...

Eleições Presidenciais 2026 - Opinião de Vital Moreira - Um importante depoimento.

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  segunda-feira, 19 de janeiro de 2026 Eleições presidenciais 2026 (39): Sem doutrina nem visão Publicado por  Vital Moreira 1.   Dá pena constatar o  oportunismo político básico de Montenegro , ao abster-se de tomar posição na disputa presidencial entre o que designou "o candidato à esquerda do PSD" e o "candidato a sua direita", como se isso fosse indiferente para o líder de um partido fundador da nossa democracia constitucional e comprometido com a UE e os seus valores, e como se para o chefe do Governo - que o é por força das eleições parlamentares que ganhou -  fosse equivalente ter um ou outro daqueles candidatos em Belém. Ao abster-se de contestar a provocatória reivindicação de Ventura, repetida à saciedade na noite de ontem, de que é agora o "líder político da direita" (incluindo nela o PSD) e ao pôr no mesmo pé os candidatos que vão à 2ª volta, como se fosse uma tradicional disputa entre esquerda e direita - que são os termos em que, não por acas...

Eleições presidenciais 2026 (1.ª volta)

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Eleições presidenciais Chegados aqui podemos dizer que aconteceu o menos mau que podia acontecer. Sendo o voto útil uma evidência, há um vencedor indiscutível, António José Seguro. O PS que, a partir de certa altura, apoiou inteiramente o candidato a que se rendeu, é também um vencedor porque a máquina de Pedro Nuno dos Santos não lhe regateou o apoio. A ida de Ventura à segunda volta e o aumento da sua capacidade de chantagem sobre a democracia é o verso de uma noite em que a democracia correu o sério risco de estar perante a disputa entre a direita mais descabeladamente neoliberal e a extrema-direita. Por enquanto, sem regozijo dos democratas, podemos dizer que a direita democrática não foi derrotada. Ela anda aí à espera de nova liderança do PSD ou a dispersar votos por quem esconde com pele de cordeiro a violência das suas pulsões iliberais. O que não pode ser esquecida é a derrota humilhante de Montenegro e do seu governo, de Marcelo, Cavaco, Moedas e Rui Moreira, do extin...
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  E STOU A REFLECTIR Por Onofre Varela Escrevo este texto no Sábado, dia 17 de Janeiro. A campanha eleitoral encerrou à meia noite de ontem, e a votação acontecerá amanhã, Domingo. O dia de hoje tem uma coisa boa… no rádio e na televisão acabaram-se os gritos dos candidatos e as suas cenas tristes, mais as preocupações intelectuais dos comentadores de gabarito que debitam os seus pareceres sobre os concorrentes ao cargo de Presidente da República, e acerca do que o vencedor fará perante o dono do mundo que manda nos seteites e no resto, e que também quer dominar a Europa começando pela Gronelândia gelada mas com muito petróleo debaixo do gelo na vez de lençol freático. Neste abençoado e desejado dia, também não ouvimos aquelas palavras doutas dos fazedores de sondagens, explicando quem vai em primeiro, no meio e em último, quem ultrapassou quem e porquê, mais as variações conjugadas de candidatos para uma segunda volta, atribuindo a vitória a este se for concorrer com aquel...

Acordo União Europeia / Mercosul

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Acordo União Europeia / Mercosul O maior acordo de comércio livre do mundo, depois de 25 anos adiado, foi finalmente assinado. O acordo, cuja entrada em vigor ainda carece de ratificação, é um enorme passo para a diversificação das relações comerciais e a autonomização da UE em relação aos EUA. O acordo é contestado por diversos quadrantes políticos e, sobretudo, por agricultores de vários países, nomeadamente França, Polónia e Itália, mas é globalmente positivo para a economia dos signatários, países da UE, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Não pretendo convencer ninguém da bondade do Acordo UE/ Mercosul, mas saúdo-o e felicito sobretudo os esforços do presidente Lula da Silva e de Ursula von der Leyen. Em defesa do comércio livre e da autodeterminação comercial da UE que se tem isolado pela sua política externa, a assinatura deste Tratado merece-me um forte aplauso.
SOBRE A   ASSOCIAÇÃO ATEÍSTA PORTUGUESA UM POUCO DE HISTÓRIA Por Onofre Varela No dia 1 de Abril de 1997, a propósito da clonagem da Ovelha Dolly (levada a efeito pelos biólogos escoceses Keith Campbell e Ian Wilmut, investigadores do Instituto Roslin, na Escócia, cuja experiência tinha sido divulgada para o mundo, mês e meio antes, no dia 14 de Fevereiro) publiquei no  Jornal de Notícias  um texto a propósito, bem humorado, onde me confessava ateu e indagava se o primeiro clonador não teria sido Deus, ao conseguir fazer Eva a partir de uma costela de Adão?  “Costela” não seria um modo de dizer célula? (A data de publicação – 1 de Abril, dia de enganos – não foi um propósito… foi casualidade!…) Recebi algumas reacções de leitores. Um deles, o senhor Manuel Paiva, com mais de 90 anos de idade, mostrou interesse em falar comigo. Fui a sua casa e ele propôs-me editar uma revista mensal dirigida a ateus. A ideia era interessante… mas alertei-o para a dificuldade eco...

Ironizando ou talvez não

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Ironizando ou talvez não A atribuição do Prémio Nobel da Paz a uma personalidade que pediu a invasão do País para destituir o PR, ainda que fosse, como muitos outros no mundo, um reles ditador, é a degradação do referido Prémio, «da Paz». E não faltavam figuras de primeiro plano a merecê-lo, personalidades que sacrificam a vida em defesa da Paz! Ou instituições. Que o Comité Nobel tenha cometido a bizarria de uma decisão indefensável e ridícula é uma leviandade bem mais grave do que a decisão de Marcelo de condecorar Cavaco Silva com o Grande Colar da Ordem da Liberdade, porque a primeira é uma vergonha mundial e a segunda uma infâmia local. A semelhança está nisto, Korina Machado está para a Paz como Cavaco para a Liberdade e o ato de que nasceu a venera, o 25 de Abril. A decisão do Comité Nobel é uma ofensa a quem defende a Paz e se sacrifica por ela e a de Marcelo uma injúria aos que foram vítimas ou arriscaram a vida para derrubar a mais longa ditadura europeia, para conquistar...

O nosso quotidiano e a violência policial

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O nosso quotidiano e a violência policial Perante horrores no Planeta e o frenesim da campanha eleitoral em curso, com os vários candidatos a apelar ao voto dos eleitores e Marques Mendes ao atestado de competência autenticado por Montenegro e Cavaco, está a ser desvalorizada a gravidade da violência em esquadras policiais. É evidente que qualquer generalização é uma infâmia, e que a generalidade dos polícias não a merece, mas ignorar a reincidência de tão graves ocorrências é o suicídio moral de um povo e um crime, por negligência, contra a democracia. E a violência policial não nasceu agora! Perante apelos populistas à ordem e vozes de estímulo à violência policial vindas de quem encontra na promoção do ódio e da vingança a fonte do seu êxito, o mínimo que se exige aos democratas é exigir ao Governo explicações e medidas para pôr cobro aos desmandos policiais. Se não houver indignação genuína e generalizada é porque desistimos da decência e da exigência cívica de que se tecem...