blague do juva

sei que já havia decretado a morte desse blog, mas ultimamente venho sentindo sua falta. escrevo hoje para indicar para os meus dois leitores o blog que meu amigo juva acaba de abrir. é uma delícia! vale a pena conferir. bem vindo juvex! have fun! 

esse blog subiu no telhado

como meu amigo anauel  pediu, resolvi contar a piada do gato subiu no telhado. quem sabe os meus dois leitores portugueses não conhecem também… aí vai.

um cara viajou e pediu para um amigo que cuidasse do seu gato durante sua ausência. depois de algum tempo, recebe o seguinte telegrama do amigo: “seu gato morreu”. o choque da notícia foi tão grande que o sujeito entrou em depressão profunda.

já recuperado, liga para o amigo e diz: “não se dá esse tipo de notícia desta forma, é necessário preparar a pessoa. você devia ter me mandado um primeiro telegrama dizendo: ‘seu gato subiu no telhado’. depois de um tempo, mandava um segundo: ‘seu gato caiu do telhado’. em seguida, enviava um terceiro: ‘seu gato tá mal’. e só por fim, dizia: ‘seu gato morreu’.” o amigo, culpado, pede mil desculpas pela sua insensibilidade ao comunicar a notícia.

ao fim de dois meses, o sujeito recebe um novo telegrama do amigo: “sua mãe subiu no telhado”. 

em desconstrução

esse blog está se despedindo. não diria que morreu, mas, sem dúvida, subiu no telhado, como aquela piada do gato/mãe. em breve, terão notícias de um outro blog.

douro 2

pisei durante 4 horas num lagar de uvas numa quinta no douro. escuto meu amigo explicar que ressuscitou os lagares de pisa porque a cor do vinho fica mais viva e o tanino mais equilibrado. os nossos pés persistentes e firmes retiram a cor da casca sem amassar as sementes e as grainhas. nossos pés persistem mas desviam, selecionam, protegem-se.

depois de viver em outra consistência e em outra temporalidade por 4 horas, não saímos incólumes: com o corpo marcado, tingido e escoriado nos sentimos parte daquela paisagem forte e sólida.   

douro 1

“a paisagem do douro é forte”, diz-me uma amiga na viagem de volta a lisboa. procuro outro adjetivo em vão. vou ao dicionário houaiss, leio: “lat. fortis,e ‘forte (física e moralmente), resistente, robusto, sólido; bem-feito, belo; corajoso, bravo’ “. é isso mesmo, no doubt.  

o rio parece ter rasgado um espaço entre as montanhas poderosas, penetrado suas paredes sólidas e ásperas. a força da paisagem faz com que nos deparemos com nossa insignificância; mortal, subjetiva, fraca.

essa é boa

o kibe loco quando acerta é demais. não consigo linkar o post do blogger para cá. vá ao kibe loco e procure o post “É da padaria?” publicado em 5/09.

hã? como assim?

há realmente o dialeto português e o brasileiro, como se diz cá por essas bandas terras. manchete do jornal o público online: “onze anos de prisão para jovem que matou trolha que atirou piropo à namorada”. hã? como assim?

tradução (aceito sugestões): “onze anos de prisão para jovem que matou operário da construção civil (mais conhecido no brasil como peão) que cantou, deu em cima, de sua namorada”

p.s desculpa lá, mas na minha terra trolha é outra coisa.

impressões de uma brasileira

considerações sobre uma semana infernal:

sobre o serviço de estrangeiros e fronteiras (sef):

– ninguém sabe nada da nova lei de residência em portugal e todos consideram esse argumento suficiente para nada fazer.

– a quantidade de africanos que vi no sef é maior que o total de africanos que vi desde que estou aqui. a situação dos africanos em portugal é realmente lamentável, a despeito de tudo o que passaram quando eram colonizados. 

– quando um casal de chineses é atendido,  a mulher sempre fica em pé (só há uma cadeira) e o homem sentado.

– as crianças são realmente multiculturais; vi duas crianças chinesas, uma brasileira e um africano brincando sem grandes problemas.

sobre o consulado brasileiro:

– parte o coração ver tanto brasileiro que saiu do brasil para conseguir uma vida melhor.

– os brasileiros esperam sem reclamar, como se fosse normal esperar numa fila (como aconteceu hoje comigo) durante quatro horas (como aconteceu hoje comigo) para ser atendido. afinal, quem sempre esperou na fila de hospital público, emprego, inss etc. está acostumado a ser mal tratado.

– os brasileiros não perdem o humor. todo mundo vira amigo de infância em menos de 20 minutos.

– a maioria fala mal dos portugueses quando deveria estar reividicando por um melhor atendimento no próprio consulado brasileiro. o atendimento do consulado português no rio de janeiro é muito mais digno do que o do brasileiro em lisboa.

– temos que admitir: brasileiro também gosta de uma fila. as senhas para retirada de documentos só começa às 14h, mesmo assim às 9hoo já tem gente formando fila na escada fora do consulado.  

observação final:

– nada como a perspectiva: o sef pode ser um lugar agradável se comparado ao consulado do brasil.

bestial

ah, que praia brutal! sexta-feira já tinha sido um sucesso o fim de tarde à beira do rio, chopp, prego no pão, batatinha frita etc. sabádo foi imbatível: a praia na costa da caparica estava maravilhosa, o mar calmo, quentinho – para portugal- , formava bancos de areia em que os miúdos brincavam. lembrei da praia de ipanema de 20 anos atrás, de mim e de minha irmã fazendo castelos de areia, catando tatuí e joaninha.  

ah, que saudades…

como dizia minha avozinha diva: “deus escreve certo por linhas tortas”.

ah, que saudades de seus adágios… a cada situação, tinha sempre uma frase pronta. ditados, provérbios, adágios, anedotas aprendidos com seus avós e pais e transmitidos – no sentido mais fidedigno do narrador – aos seus filhos e netos. lembro-me, especialmente, de um em francês: “tout passe, tout casse, tout lasse et tout se remplace”. dizia com um certo ar de orgulho por ser em francês – marca da sociedade afrancesada carioca novecentista -, mas principalmente por ter aprendido com sua mãe.  

meu avô era um homem de poucas palavras, mas nunca me esqueço de uma frase que me disse: “a matéria atrai a matéria na razão direta das massas e no inverso do quadrado da distância”. nunca entendi seu significado científico pleno que meu avô, engenheiro, queria me insinar. procuro em vão palavras para expressar o que meu avô, suas palavras, e acima de tudo suas ações significaram para mim. meu avô era um sujeito que buscava as netas às 6h30 da manhã para levá-las ao colégio com o café-da manhã mantido quentinho no motor do carro; era um sanduíche de queijo minas no pão francês (designado por ele de “canoa”), enrolado no papel alumínio. há palavras para isso?