Amplificasom: até já
Não sei se já ouviram falar do exorcismo a que Necrobutcher, baixista dos Mayhem, vai ser sujeito. É daquelas coisas que, num acto de, para mim, tão pura estupidez pode reunir a verdade de muitas coisas.
Como vos tínhamos falado, pensamos em quem também vem de longe e reservamos o melhor hostel do Porto durante o fim-de-semana do Amplifest. O Dixo's Oporto Hostel, para além de estar do outro lado da rua e de ser a opção mais barata, ainda tem este maravilhoso aspecto:
Jefre Cantu-Ledesma (esse mesmo dos míticos Tarentel) passa hoje pela ZDB em Lisboa numa sessão de ambiências shoegaze para a geração do noise. Vem com o intuito de apresentar o primeiro disco via Type e, a abrilhantar ainda mais a noite, Paul Clipson traz a sua Super 8 para fazer destas coisas:
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Video novo de Eak para o temalhão Ears Have you. É degustar.
O título deste post até poderia ser “industrial à séria”, dado um certo amansar do termo nos últimos tempos. Há uns bons anos atrás (nem vamos dizer antes do advento generalizado da internet, pode mesmo ser, ainda, antes do surgimento do Windows 95), registou-se o aparecimento de uma vaga de bandas britânicas que desenvolveram o conceito de som industrial na sua vertente mais extrema e pesada.
Baseando-se tanto nos primórdios de Swans como no death/grind, que por estes dias ainda se encontrava em plena fase de ascensão, esta sonoridade era suportada por ritmos maquinais, vozes retorcidas e peso, muito peso, contundente e claustrofóbico, com a dose certa de urbanidade e decadência.
Sendo claramente identificada a influência de Godflesh na génese deste “movimento”, representando o nome de maior relevância e que mais perdurou desde essa época, seria injusto não nomear no mesmo contexto outros nomes que abusavam do mesmo sentido de abrasividade sonora e que justificam, no mínimo, uma merecida espreitadela conjuntural, dado o bom envelhecimento da maior parte da sua obra.
Pitch Shifter
Industrial . 1991
Primeiro álbum de Pitchshifter e provavelmente o registo mais aproximado ao «Streetcleaner» algum dia lançado.
«Landfill»
Scorn
Vae Solis . 1992
Primeiro álbum de Scorn contando com dois ex-elementos de Napalm Death (Mick Harris e Nicholas Bullen) e participação de Justin Broadrick nas guitarras.
«Spasm»
Meathook Seed
Embedded . 1993
Primeiro registo resultante da colaboração entre membros de Napalm Death (Mitch Harris) e Obituary (Donald Tardy and Trevor Peres).
«Famine Sector»
Optimum Wound Profile
Silver or Lead . 1993
Segundo registo de OWP com a participação do malogrado Phil Vane (Extreme Noise Terror).
«Nazilover»
A Aurora Borealis é das únicas editoras que posso dizer que acompanho. Nunca tive grande interesse em ouvir uma banda ou álbum apenas por estar em determinada editora, mas isso alterou-se naturalmente quando comecei a receber a newsletter da AB e a perceber que gostava de (quase) tudo o que iam lançando. Além de seguir as últimas novidades, tenho vindo progressivamente a explorar o resto do catálogo, e, se havia várias bandas que já conhecia, pelo menos de nome, também conheci muita música que de outra forma dificilmente teria ouvido falar. The Stargazer's Assistant é um dos projectos que conheci enquanto passeava pela simpática loja.
Smith has spent the last two years bringing his visions to life; life that emerged slowly, painstakingly, out of wax, coal, copper and lead. In much the same way, the soundtrack itself slowly writhes organically before the listener: the groan of the motherlode, the shifting of tectonic plates, the song of the Earth's crust.Para algum contexto e mais informação sobre a inspiração para o álbum e esculturas, é visitar o blog do David. Também podem ver um vídeo onde aparecem as mesmas esculturas da exposição inicial (numa outra instalação colectiva) aqui - a música não é do The Other Side of the Island, tho.
Hoje escrevo aqui com delay de um dia, mas, felizmente, não devo fazer repetições. Espero que umas reverberações aqui e ali, talvez com modulação, depende do estado em que estão ao ler as linhas que seguem.
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Nunca acordaram, um dia, fartos?
De nada em particular, simplesmente fartos?
Da inevitabilidade das coisas, dos “outros”, da impotência perante o “establishment”, da “vidinha”?
Disto e daquilo, mas, no fundo, saturados até ao tutano de tudo ao mesmo tempo?
Também já tive dias desses e posso garantir-vos que, pelo menos, a meio mundo já lhe passou essa mesma ebulição pela cabeça. No entanto, poucos se lembraram de transformar essa raiva latente numa rebeldia, de certo modo, “sensível” como algumas bandas com fortes raízes hardcore que, de forma algo extemporânea, têm emergido na última década. Ainda que a algumas se possa traçar o paralelo da interioridade geográfica dos seus locais de origem, aquilo que mais sobressai na sua música, para além, obviamente, de alguma agressividade e desconforto, acaba por ser a melodia que caracteriza os ganchos que facilmente ficamos a trautear após cada audição.
Dada a irregularidade com que estas bandas aparecem e a falta de legado que muitas vezes as caracteriza, parece-me ser este um espaço adequado para expor algumas daquelas que mais “mossa” me deixaram.
Modern Life Is War
I mostly like to be on my own. I've found that self-portraiture is one of the most convenient ways I can convey an idea. I always use a Spectra system and build up a confident relationship with the camera before the picture can be ready to release. I try to complete the image before this release and disfavor the use of any subsequent alterations unless it's the stove. Double exposure is my favourite choice. I use a digital projector and a mirror to help me. I'm interested in assemblages and unification. I hate to be straightforward.
Na passada sexta-feira decidi não postar para não interromper o fluxo de boas notícias aqui no blog (GODFLESH!!) pelo que venho agora invadir-vos o fim de semana com a seguinte questão:
Como gerem, como consumidores de música, a quantidade inacreditável de álbuns que saem todas as semanas para o mercado (e/ou para o mediafire)?
É certo que isto é um tema mais do que falado e que se transforma quase sempre na esgrima dos prós e contras da partilha “livre” de ficheiros, mas não queria entrar por essa via.
Não se trata apenas de ter tempo para ouvir as últimas novidades, pois a vontade de pôr um Through Silver in Blood ou um Dopethrone a rodar é obviamente recorrente em qualquer um de nós.
Para contextualizar: tenho aqui aberta a minha biblioteca do iTunes e a barrinha de baixo diz-me que tenho 22052 músicas divididas por 901 intérpretes, num tempo total de reprodução de cerca de dois meses e meio! Ainda no outro dia estava com o iPod na mão a dar à rodinha quando me apercebi que tinha o último álbum dos Enslaved por ouvir há meses, e nunca mais me tinha lembrado disso.
Ajudem-me.
Vi, há dias, o concerto de Anna Calvi. Pela minha curta memória, o último concerto que vi em recinto fechado até esta segunda-feira foi Neurosis, em Barcelona. A grande diferença, além das óbvias e que não entram neste jogo, estava mesmo no público.
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